quarta-feira, 2 de maio de 2007

desCOBERTA

Sinto falta daquele amor puro, descompromissado; da primeira série.
É encantador lembrar.
Não que os outros amores e dores que tenham passado por mim, fossem menores ou maiores, mas foram diferentes.

O amor da primeira série, era amor regado a olhares e descobertas.
Não sabia o que era sexo, ponto G, beijo de língua, pegada.

O amor da primeira série, foi embora e não deixou dor.
Não pontou.

O nome era Lafite! Lembro que todos na sala de aula, riam na hora da chamada. Eu tbm ria, mas ria baixinho prá ele não escutar. Menino magrelo de canelas finas, cabelos curtos e furinhos no uniforme.Não sei o que era, o que aquele menino tinha, mas me fazia bem!

Lembro que ele sempre usava chinelos. Com chuva ou sol. Havaianas azuis.

Descobri que gostava dele, num dia em que minha mãe me acordou prá ir a escola e quando olhei pela janela, não conseguia ver nada. A neblina tapava qualquer coisa a um palmo do nariz. Então levantei, tomei banho, me vesti e coloquei um par de meias na mochila.Cheguei na escola, fui até ele e entreguei o par de meias.

A descoberta do amor na primeira série e o que senti naquele dia, é o que me faz querer amar sempre.

Um comentário:

João Livra disse...

que lindo!!!
...
...

nó na garganta
universo no peito
todos os dias o amor
todos os antigos dias, novos dias
uma miserável simplicidade...
e esse amor-mimeógrafo me toca até hoje.