Contando Canto
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Oração.
É preciso não ter medo de mudar a cor do cabelo, mudar o corte, o comprimento da saia, é preciso não ter medo de mudar de cidade, mudar de planos, mudar de ideia, mudar o tom. É preciso sentir o vento no rosto, o calor do corpo do outro, o balançar das cortinas na sala e das folhas nas árvores do lado de fora também. É preciso meditar, desejar, sorrir, chorar, ser intensa, extensa! É preciso experimentar, sentir gostos desconhecidos, perder a ignorância, perder o medo do desconhecido, é preciso conhecer, sentir o gosto da vida do outro pelo beijo, sentir a alma pelos olhos e silêncios, é preciso vozes roucas cantando no pé do ouvido que é preciso ser cada vez mais humano, cada vez mais pés de gente plantados na terra, cada vez mais amor. Cada vez mais é preciso escrever e contar e cantar e dançar as descobertas e evoluções nossas de cada dia! Amem. Sem acento, para amar mais.
sábado, 5 de maio de 2012
Sobre transbordar.
Eu escrevo sobre coisas que vejo e sonho também. Meus escritos são quase que orações, são desejos. Repito a mim mesma que está tudo bem e tudo se torna. Escrever sobre o sorriso que a moça presenteia o namorado é alimento pra minha alma. Eu acredito no amor, por isso escrevo tanto sobre ele. Eu acredito na força que carregamos nos olhos, nos beijos, nas palavras e nos abraços nus. Eu acredito.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Entre a casca e a carne.
Meu primeiro amor: um trapezista.
Minha avó materna me levava ao circo sempre que algum aparecia pela cidade. Mas de um desses dias guardo o cheiro, as cores, as luzes piscando do lado de fora da lona, o vermelho intenso no chão, as cadeiras de plástico, o fotógrafo, o cheiro de pipoca doce, o sorriso da minha avó e ele, o trapezista. Lembro como se fosse ontem, ele entrando no picadeiro, ponta de pé, tantas formas no corpo, abrindo os braços e sorrindo, o corpo todo sorria. Ele era tão colorido, a pele (que algum tempo depois decobri ser figurino) mudava de cor, brilhava, encantava qualquer um e deixava o pipoqueiro numa solidão de dar dó. Tão bonito ele, trapezista-arco-íris...
Na mesma noite, em casa me contaram que Papai Noel não existia. Nunca mais pedi presentes para minha mãe. Senti uma culpa imensa!
Lembro bem desse dia, descobri cedo o significado de amor e culpa.
Minha avó materna me levava ao circo sempre que algum aparecia pela cidade. Mas de um desses dias guardo o cheiro, as cores, as luzes piscando do lado de fora da lona, o vermelho intenso no chão, as cadeiras de plástico, o fotógrafo, o cheiro de pipoca doce, o sorriso da minha avó e ele, o trapezista. Lembro como se fosse ontem, ele entrando no picadeiro, ponta de pé, tantas formas no corpo, abrindo os braços e sorrindo, o corpo todo sorria. Ele era tão colorido, a pele (que algum tempo depois decobri ser figurino) mudava de cor, brilhava, encantava qualquer um e deixava o pipoqueiro numa solidão de dar dó. Tão bonito ele, trapezista-arco-íris...
Na mesma noite, em casa me contaram que Papai Noel não existia. Nunca mais pedi presentes para minha mãe. Senti uma culpa imensa!
Lembro bem desse dia, descobri cedo o significado de amor e culpa.
A falta que faz.
Hoje o dia amanheceu nublado, amanheceu como quando anoitece, me perdi no tempo, o nó na garganta não foi desfeito, me perdi nesse cinza que você pintou. "Mas tudo bem", eu repito a mim mesma, com pensamento doce, que vou colorir com meu coração-pincel, cada pedaço que dói de tão nublado! Hoje o dia amanheceu sem cor, sem música, hoje o dia anoiteceu mais cedo.
Arde, a falta de poesia me arde.
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Sobre o que não nos pertence.
Eu acabei de escrever um texto sobre o amor e o perdi. Amor é tão grande que não cabe mesmo nas mãos. O amor é tão livre que enquanto não sente leveza não pousa. Amor é abrir gaiolas e não se preocupar com textos perdidos.
em tu.
Existe algo em mim teimoso, uma intuição quase perturbadora de que o amor, a troca, o dormir e acordar amando existe sim, mas que eu não nasci pra vivência-lo.
Eu nasci pra escrever/produzir alimentos para os meus sonhos famintos de realidade!
Eu nasci pra escrever/produzir alimentos para os meus sonhos famintos de realidade!
Céu
Antes eu olhava nuvens e logo tentava encontrar uma forma, identificá-las com rapidez: 'é um cavalo marinho'! Agora eu não procuro formatos, eu as vejo com olhar de criança, sem rótulos, sem formas, sem obrigações e assim as nuvens vão me ensinado amar!
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Sem título.
Praticar o amor é cuidar do outro, da vida, do mundo, com respeito. Não
somos descartáveis, não somos pele e carne e gordura, não somos casca.
Somos dentro, somos energia, somos coração acelerado por dores e
delícias, somos histórias, somos muitas vidas em uma só. Eu sei olhar
pra dentro e desatar os nós, eu sei pegar agulha e linha pra costurar e
como diz uma grande amiga minha, "infelizmente eu também sei ser
triste".
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Como nossos pais.
E é assim que a maioria segue: a vontade, o sonho de ter uma casa, filhos, almofadas espalhadas pela sala e árvores no quintal, vão sendo substituídas por relações na base do raso, do pouco, do ego. O amor precisa ser praticado, o respeito, o carinho, o cuidado com o outro. É preciso acreditar em filhos educados na base do amor e árvores plantadas no quintal. É preciso acreditar no simples, é preciso acreditar que a vida não é o que estamos fazendo dela!
quinta-feira, 19 de abril de 2012
64
É como se todas essas luzes-estrelas-de-faróis nessa avenida cumprida,
dessa cidade de tantos, fosse só pra nós dois. E eu querendo tua mão na
minha. Coisa de interior, não de cidade, de dentro! Eu querendo te
beijar como chuva, não essa, a do interior!
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Sobre o meu amor.
O meu amor toca violão desafinado, tem a voz rouca e estoura bolhas. O
meu amor canta Caetano, sorri com os olhos e mora dentro da minha
vontade de sentir seu gosto, mora dentro de um lugar bonito, dentro do
ouvido e perto do coração. Meu amor gosta de música, mas tem que ser
desafinada, pra gente dançar descompassado e leve, como o amor deve ser,
como nosso amor é!
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Conversando com Caetano.
É tudo uma questão de tempo! Sentir, se permitir, realizar, dizer. É uma questão de tempo, do tempo de cada um. Carpinejar disse sabiamente que "o amor esquece de começar" e não só o amor, os sentimentos quanto mais naturais, mais cuidadosamente construídos são, mais verdadeiramente acontecem, assim como a felicidade de quem tem memória fraca, assim como chuva seguida de sol. O amor acontece e de repente nada que doeu um dia, faz sentido mais. Cicatriza. O tempo venta e cura!
sábado, 7 de abril de 2012
Sobre até aqui.
Eu não esqueço o quanto a história da "Cinderela" mexeu comigo, Cinderela me contou que eu não precisava ter a melhor família, o melhor vestido, a melhor moradia, eu só precisava ter fé, esperança em dias melhores. Então cresci um pouquinho mais e ganhei uma Barbie, uma mulher magra, bonita, cabelos longos e sorriso sempre aberto, mas depois de alguns meses de convivência, comecei a pensar "coitada, tão bela e sozinha com seus vestidos de meias furadas costuradas por mim" ela precisa de um Ken!
A indústria, a Disney, o mundo, criou uma mulher que cresce esperando pelo o homem perfeito, o amor perfeito, a vida perfeita. Aquele que vai te procurar por todos os becos e porões com seu sapatinho nas mãos, até te encontrar e te amar e te amar e te amar e serem felizes para sempre.
Se existiu uma mulher real nos contos de fadas, foi Rapunzel, que do alto da sua solidão doída, jogou seus cabelos-corda para finalmente viver. E o mais bonito em Rapunzel é que ela não foi salva pelo príncipe, foi salva pelos cabelos que por anos cresceram com sua solidão e suas dúvidas. Foi a própria força e crença e anos de cabelos e sentimentos crescendo que a salvou. O príncipe, foi só amor subindo pelos cabelos claros e chorosos dela, o príncipe era amor chegando, graças as tranças da vida dolorida.
E no final das contas, quando as Barbies e Kens e Batmans e Homens Aranhas e Cinderelas já estão encaixotados, descobrimos entre primeiros beijos e transas e porres e traições, que não, os contos de fadas não funcionam na vida real, porque a vida é real, porque o amor é real. O meu amor, o seu amor, o amor da fulana são energias que se complementam e se salvam, se ajudam. Somos todos heróis e princesinhas abandonadas no alto de seus castelos da infância e somos todos amor, aquele verdadeiro, importante, dolorido e curandeiro também. Sem ele seria um porre acordar todos os dias e trabalhar e trânsito e contas e violência e encanadores e famílias e roupas estendidas no varal.
E isso a gente entende, mais cedo ou mais tarde que tudo, tudo é um caminho, até a descoberta do que nos move: você, eu, teu colega chato de trabalho, tua vizinha de almoços cheirosos, a Barbie, a Cinderela, a Rapunzel: o amor e a intuição pulsante, certeira da sua existência.
O amor tece.
Amor não chega em cavalos brancos, nem em carruagens douradas.
O amor senta na mesa de um bar e conversa por horas, anestesia, amortece, cicatriza, cura, se mostra vivo e vai embora. Porque amor é muito e não cabe, amor transborda e não cabe num só!
O amor senta na mesa de um bar e conversa por horas, anestesia, amortece, cicatriza, cura, se mostra vivo e vai embora. Porque amor é muito e não cabe, amor transborda e não cabe num só!
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Bigode
Eu gosto de fechar os olhos ouvindo 'Fever Dream' e te imaginar deitado no tapete com os pés no sofá, a luz amarela da rua entrando pela janela e rabiscando seus olhos de luz. Eu gosto de te imaginar aqui, segurando a minha mão quando tudo perde o sentido. Eu gosto de pensar que você existe.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Infância
Amor é de plantar no algodão e esperar todo dia pelo primeiro brotinho.
É conto cantado no pé do ouvido pra ver crescendo além nuvem e crescer mais que a vista alcança
e crescer mais que os feijões e os pés e os sonhos de João!
É conto cantado no pé do ouvido pra ver crescendo além nuvem e crescer mais que a vista alcança
e crescer mais que os feijões e os pés e os sonhos de João!
sexta-feira, 30 de março de 2012
coração lambido.
o coração não seca nunca
coração é mar
cor - ação
c - oração
é tudo cor e amor de dentro, pra fora, pro outro e pra voltar.
coração não seca, coração é mar.
coração é mar
cor - ação
c - oração
é tudo cor e amor de dentro, pra fora, pro outro e pra voltar.
coração não seca, coração é mar.
- coração de poeta
- esse nosso lambido
- salgado de mar saindo pelos olhos
- pelo gozo
- pelo suor
- a gente não se cansa porque amor não é exercício
- amor é certo. Amor é leve. amor é.
- e a gente, gente poeta, gente amante, gente desejo, fica aqui, na beira de uma caneca bonita de café, balançando as perninhas e esperando o próximo gole. Quem será que vai nos engolir?
- amor é cabeça no ombro, amor é um pedido recusado de café, amor é rejeitar a ideia de que amor tem que ser correspondido. Amor acontece. O tempo todo.
- tem que sentir, sentir pra não virar pedra, não virar pó. Tem que sentir amor e enviar em pensamento, em cartas, em silêncio. Amor é pra sentir e curar. Esse que diz, que amor tem que ser correspondido não tá bem da cuca. Amor se troca. Quando quer. E eu quero.
- vou começar trocar amor com o mundo.
- o mundo inteiro.
- até ficar bem cheia de amor e não sentir necessidade de dividir com um só minhas alegrias e tristezas, até alguém me resgatar sussurrando:foi só um sonho, vem!(Nascido assim, de conversa-inspiração com Cristiano poeta Gouveia.)
semrespirar
Virginiana, fodida com essa vida dolorida de trancos e barrancos e gente e gente e cores e pretos e brancos e sal na alma, nos olhos, nas maçãs do meu rosto desbotados da maresia dos tantos e muitos e quantos que vivem por aí sem saber porque aqui estão, sem saber pra que. E vão, atravessam ruas, entram em metrôs, entram em metros, metros de vidas e idas e vindas e, pra que desabafar, pra que desabar assim? Segura. Segura menina, que existe amor. Exi(s)te...
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