domingo, 5 de janeiro de 2014

Sobre amar.

Então Ana segurou forte nos braços e João e disse: fui tua a vida toda, curei tuas feridas com lágrimas minhas, sarei teu coração anulando o meu. Agora meu rei, tua coroa é invisível, só existe no espelho teu. Não sou mais tua curandeira, sou minha, minha rainha.

sábado, 31 de agosto de 2013

eu vou.

Sem isso ou aquilo.
Mistura.
Deixa tudo assim, misturado.
Nada é tão certo, nada baby!
E é aí que mora toda delícia,
é aí que mora.
Eu gosto tanto do jeito como fala comigo
e quando recita Gullar no meu ouvido.
Eu gosto quando quase sinto seu cheiro
e quando quero ser de mais ninguém.
Quando penso em você,
e quando sinto cada gota-beijo do chuveiro no corpo.
Gosto dessa coisa de querer tua pele na minha
coisa de alma, de mão, de louca.

eu não quero ir.
vou ficar aqui. dentro. misturada.
eu não vou e você sabe
eu vou.

Vital

No mesmo compasso dos dias nossos,
dos dias-dança, dos dias-cervejinha na rua calçada, na piscina azul-bom-dia, no balanço olhando o céu, no balanço-dança no super mercado, no balanço do meu corpo no teu.

No mesmo tempo dos olhos nossos,
dos olhos nos olhos, olhos pros olhos, pro corpo, pra boca, olhos-mãos, olhos-máquina-fotográfica, olhos-beijo, olhos pra olhar teus olhos nos meus.

No mesmo ritmo do corpo nosso,
corpo-carinho, corpo-descoberta, corpo-sal-de-(a)mar, corpo que escancara e encara, que chama e acolhe, que vira-mexe,
corpo que abraça e esquece que é corpo e vira alma, só.

Com nossos dias batendo no céu da boca,
tenho vivendo aqui,
entre flores e água salgada,
teu nome, teu cheiro, teu gosto

e um bucado de amor também.

Balanço

Equilibra teu corpo-criança,
impulsiona e segue com o vento,
sinta teu corpo-balanço.

Respire fundo,
tire os pés do chão
e sinta o ar leve,
leve, leva, deixe levar.

Sinta o som do vento que encontra a pele,
respire e sinta o cheiro novo
de tirar os pés do chão,
de olhar o céu e
ser nuvem.

Literal

Escreve,
que tuas asas leves
levam, lavam.

Escreve.

In verso.

In ver te
In ver tido
In ver são
In ver so

Uni verso.

Espuma

"- Zé gosta disso: Deixar tudo aos pedaços pelo caminho. Gosta de quebrar, desconcertar, ver os cacos e colar tudo depois. Sabe como é? Ele vai deixando em cada olhar trocado, ladeira subida, rua alagada, pracinha de interior, carnaval, vai deixando... Já chamaram Zé de artista, por essa mania de fazer mosaico da vida. Pra mim, não passa daquele tipo que deixa ir, que vai, não sente falta e poucas vezes saudade. Ele quase esquece. E é no "quase" que ele volta pra buscar os cacos e é no "quase" que a gente acredita na volta e ele vai embora de novo. Num cai nessa não, menina! Num cai nessa não! Deixa Zé colando vida pra lá..."


Zé um dia me disse que não faz arte,  faz amor. E acho que por isso ele transforma, por isso vai e volta, por isso busca... Eu olhei dentro dos olhos de Zé. Zé sente sim, sente muito. A gente é que pensa saber demais!

Pra saudade dormir um pouco.

Saí da rodoviária, passei pela ponte, olhei a lua, senti o sol-das-cinco, senti saudade, senti falta da tua mão na minha, do teu sorriso, da tua voz cantando tua poesia, a poesia dos outros, senti.
Apaguei o cigarro, entrei na estação, inseri o bilhete, atravessei a catraca, fui pro lado errado da escada rolante, voltei pro certo, pensei em você, em você rindo da minha falta de memória, em você chegando, em você partindo, no teu sorriso.
Desci as escadas, esperei o trem, olhei os carros no outro lado da rua, pensei em você, na tua mão na minha, nos teus olhos pros carros, nos teus olhos pra nós.
Senti o vento, o vento-barulho que chegava, esperei atrás da faixa amarela, pensei em você, em você chegando, em você-abraço, em você-chuva, em você-trem.
Entrei, procurei um lugar pra sentar, encontrei, encontrei um só e pensei em você, em você em pé do meu lado, tirando os cachos dos olhos, pra gente se ver e rir e falar sobre qualquer coisa.
As estações passaram, as sete que antecedem a "1º de Maio" e pensei em você, "estação primeira de mangueira: 9.7".
Chegou o ponto final, desci, desci e fui mais uma vez pro lado errado da escada, encontrei o lado certo, subi. Subi e pensei em você abraçando minha cintura enquanto os degraus deslizavam.
Atravessei a catraca, respirei fundo, saí naquele pátio enorme, olhei o céu, olhei o morro, senti o sol-das-cinco-e-meia mais leve, mais amigo, mais abraço e pensei em você, na nossa discussão sobre o tempo e a liberdade, sobre nossa vontade, sobre nosso cuidado em seguir em paz.
Ascendi um cigarro, atravessei a ponte e lembrei, quando estava descendo as escadas, que é proibido fumar ali. Então, cumprimentei o guarda, correndo, pedi desculpas, ele sorriu, eu saí e encontrei a avenida. Pensei em você, em querer fazer amor no cilindro de concreto, na nossa primeira discussão, na primeira vez que disse "eu te amo" e senti meu corpo tremer.

Respirei sorrindo, atravessei a avenida movimentada, olhei a pracinha, subi, subi, cansada, olhei a academia e pensei "preciso malhar, preciso!".
Antes de entrar em casa cumprimentei os vizinhos, pisei em casa enfim, cansada, quente de sol, fiz festa pro cachorro que te procurou atrás da porta.

Pensei em você, em você dormindo de boca aberta, na tua voz rouca dizendo "bom dia", no teu cabelo bagunçado no travesseiro, no teu corpo, no nosso. Pensei na sua viagem de volta, se conseguiria ver a lua, se o balanço do ônibus te deixaria escrever, pensei no teu sorriso de dentro do ônibus e na felicidade de não precisar contar o tempo com você.

Pensei nos beijos, pensei nos nossos dias e no quanto tenho pra dizer e falta palavra.
Então pensei no tempo, no tempo que temos pra descobrir o encaixe das palavras, no tempo que sobra e não há de faltar nunca.

Interior

Sinto falta do tempo em que as pessoas batiam palmas no portão.
As casas eram aplaudidas.

Bilhete

Baby, você me leva a sério demais, pesa demais.
Eu só queria viver minha paixão e mal sei onde pisar.
Sei que tá foda, que tá corrido, que o tempo mal existe e tralalá.
Ah baby, sentir não precisa de tempo, acontece aqui dentro independente do ônibus, do caos, da bronca.
Não preciso da sua mão na minha todos os dias, da sua voz indicando o lugar certo, sou sozinha, sempre fomos, eu só quis me apaixonar...

Eu sou leve, tão leve que se assopram vou pra longe-longe.

Rajartma

Eu gosto da tua barba grandona e teu cabelo sem rumo, 
enrolado de histórias e pensamentos que só você tem. 
Eu gosto de te olhar e ver bem dentro de onde seus olhos moram.
Vejo um menino, um menino de mãos lilás e esperança nos dedos!

Sobre tudo que transborda

Pensei nos dias nublados e de sol. Dias úmidos, lençóis amarrotados, o suor nos lábios, teu gosto passeando entre meus seios. Na pressa e na preguiça, no dia seguinte esperando tua ligação, lembrei de quando acreditei que era pra sempre e quando descobri que não passaria da manhã seguinte. 

Tão certo, a boca que ama é a mesma que fere. 

Ontem

Engraçado o amanhã ser feito hoje... Não acha?


sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Silêncio

Teu silêncio gritou tanto aqui dentro.
Pobre coração mudo o teu.
Nessa falta tanta, ensurdeceu o meu.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Olhar

Existem pessoas tão feias, mas tão feias, que só tem beleza física.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Clarice

Clarice trabalhava numa fábrica de músicas
Clarice não sabia mais sobre o que escrever
Então Clarice se apaixonou pelo violonista
Que compunha todo dia sem perceber.

Na hora do almoço Clarice cantarolava
palavras sem sentido no café
na hora do jantar Clarice sonha
com uma canção

Clarice via os dedos deslizando leve.
Clarice compunha amor sem perceber.
Clarice se tornou o instrumento
e o violinista a tocava sem saber.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Você tem fome de que?

 

Pra que copa num país que não tem nem cozinha?

terça-feira, 9 de outubro de 2012

24/7

Pessoas nascem e morrem todos os dias, mesmo sem saber.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

domingo, 16 de setembro de 2012

Olhar

O silêncio é máquina de sonho!