Tramita no Congresso Nacional um projeto de lei que, se aprovado, será um golpe mortal para todas as florestas brasileiras e, em especial, a amazônica. O PL 6424/2005, conhecido com Floresta Zero, reduz a reserva legal da região para 50% e ainda permite compensar, em outros locais, qualquer desmatamento que vá além desse limite. O Brasil demorou 450 anos para botar no chão praticamente uma floresta inteira, a Mata Atlântica, que se espalhava em 1 milhão de quilômetros quadrados entre o Paraná e o Rio Grande do Norte. Infelizmente, parece que não aprendemos nada dessa lição. A velocidade de destruição da Amazônia é quase dez vezes maior. Em pouco menos de 40 anos, já perdemos para sempre mais de 700 mil quilômetros quadrados de Amazônia – o equivalente a quase três estados de São Paulo. Se o Floresta Zero passar no Congresso, a devastação assumirá um ritmo ainda mais avassalador. O Floresta Zero incentiva a derrubada da floresta e inocenta milhares de crimes ambientais. A Amazônia ocupa 5% do solo do planeta e abriga a maior biodiversidade do mundo. Somos hoje o quarto maior emissor de gases de efeito estufa do mundo. Cerca de 70% de nossas emissões são decorrentes do desmatamento e das queimadas.
Destruir a Amazônia provoca um grande impacto econômico e social no país. A chuva que é produzida na Amazônia é importante não apenas para a região. Ela ajuda na geração de energia, na produção de alimentos e no abastecimento de água no centro, sul e sudeste brasileiro. Para os mais de 22 milhões de brasileiros que habitam a Amazônia, o desmatamento nunca trouxe desenvolvimento social. Cerca de 85% dos casos de trabalho escravo do país ocorrem nas áreas desmatadas da Amazônia.
Ao invés de aumentar a proteção do meio ambiente e estabelecer metas para a redução do desmatamento, o Congresso Nacional estará dando as costas para a Amazônia e abrindo as portas para mais destruição. A sociedade brasileira exige um ponto final no desmatamento de nossas florestas, em especial a Amazônia. Seja a favor da floresta. Diga não ao PL 6424/2005.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Meia Amazônia NÃO!
Contado por Larissa Minghin 0 cantaram!
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Domingo
Eu te espero
com o cheiro dos teus lábios no rosto
e o gosto dos seus olhos nos meus.
E como se nunca o tivesse encontrado,
eu espero.
Contado por Larissa Minghin 2 cantaram!
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Palavra
Mal dita não consegue contar
e sigo grávida de palavras sem rosto, sem nome.
Não nascem.
Mal ditas,
elas não querem ser!
Contado por Larissa Minghin 4 cantaram!
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Sopro
Em algum lugar alguém olha as mesmas estrelas,
fecha os olhos e deseja boa noite.
O tempo venta
e cura.
Contado por Larissa Minghin 5 cantaram!
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Sem
"Merece uma segunda chance!"
Tem coisas Baby, que não merecem nem a primeira!
Contado por Larissa Minghin 5 cantaram!
sábado, 24 de outubro de 2009
Criar
É da saudade crua,
essa de secar boca
que a espera nasce.
É da espera nua,
essa de mudar crença
que a saudade alimenta.
É no cheiro de domingo,
nesse passo raso,
que a saudade espera.
Contado por Larissa Minghin 4 cantaram!
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Nudez
O corpo,
corpo ponto
corpo vírgula
corpo linha,
o corpo,
corpo cavalo,
corpo cálice,
corpo meu,
corpo cale-se.
Teu corpo,
o corpo pé,
corpo ossos,
corpo forma,
corpo fôrma,
é teu?
Contado por Larissa Minghin 1 cantaram!
sábado, 17 de outubro de 2009
Estudo sobre a solidão II.
- O que acho engraçado nesses vinhos bons, é que quando o gosto vem, acaba! Quando a gente começa a sentir o gosto, passa!
- Talvez por isso sejam bons.
- É, talvez.
Acho que ele deixou o vinho porque no fundo, sabia que um dia, nele, ela o esqueceria.
Não que o vinho apagaria o cheiro, as transas, os dias contados e a bagunça toda deixada dentro dela, não! O vinho era compania agradável, o bastante para que ela o perdoasse e era só isso que ela queria.
Telefone não tocava, nem uma mensagem de texto, nem secretária eletrônica, campainha, na-da.
Era ela, uma taça de vinho do porto e cigarros, muitos, dois maços. Voltou a fumar mesmo não querendo amarelar os dentes, nem manter o hálito nicotinado e aquela tosse rouca. Ela parou porque acreditava que a fumaça afastava os outros, mas estava sozinha e a fumaça não afastaria ninguém, não agora.
Da janela, via duas estrelas, duas estrelas de brilho enorme, dessas que a gente parece enxergar as cinco pontas à olho nu.
Mais um gole.
Seu paladar estava acostumado a vinhos baratos, daqueles que bebia com os amigos na adolescência, em copos plásticos que conseguiam na mesma adega em que compravam a garrafa.
Descobriu aos 15, quando foi abandonada pelo primeiro namoradinho, a importância de beber um vinho barato. Os namoradinhos iam e no outro dia, qualquer analgésico tirava a dor de cabeça.
Mas dessa vez, bebia "Dow's Port" em taça, sozinha na cama, ouvindo a festa de sexta-feira do apartamento ao lado. Era diferente e ela sabia. Voltava o olhar pro vinho e como quem procura respostas, ali ficava.
Ela já tinha se perdido antes. Quando esperou ouvir "eu te amo" depois da primeira transa, quando viu o mar e teve a impressão de estar diante do infinito ou nas tantas vezes em que foi assistir um espetáculo de dança, que o os corpos nus se enrroscavam de um jeito tão forte, tão intenso que parecia sufocar e num passo delicado de um dos bailarinos, tudo se desfazia, tudo se fazia paz.
Era assim, exatamente assim que assistia sua vida agora. A vida se enrroscava desajeitada e não via a hora de ser paz. Ela queria ver o bailarino leve organizar a cena, queria ser mar.
"Beber vinho sozinha é tão corajoso!", pensou enquanto acendia outro cigarro.
Contado por Larissa Minghin 5 cantaram!
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Água
Eu não queria que ele percebesse que ainda doía o que vivi algumas semanas antes de estar ali, não queria que ele soubesse o medo absurdo que sentia quando o olhava nos olhos ou quando suas mãos sem querer, esbarravam nas minhas.
Eu não queria que ele notasse meus olhos encantados pelo quanto os dele hora escondiam, hora escancaravam.
Não queria que ele me sentisse metade, eu o queria sem pressa, feito chuva de domingo no interior.
Contado por Larissa Minghin 3 cantaram!
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Lambuzada
Beijo nos olhos,
sal no corpo e
saliva pra adoçar a boca.
Minha solidão tem uma coisa "chocolate meio amargo", sabe?
.
Contado por Larissa Minghin 6 cantaram!
terça-feira, 22 de setembro de 2009
o fotógrafo
Essa noite a chuva batucou em minha janela
e fotografou meus sonhos, eu sei.
Contado por Larissa Minghin 3 cantaram!
domingo, 20 de setembro de 2009
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Perda avessa
Sopro que na alma ardia
Doía calma
e alivia
Tranca as portas
sangra
some a chave
cala, canta
aliviada
Ali via
ali morava
roçava a pele
todo encanto
em solidão
de se nascer de novo
vazia
a liberdade que se faz
aliviada cria.
* Escrita-a-quatro-mãos! Cris Gouveia e Larissa Minghin.
Contado por Larissa Minghin 1 cantaram!
terça-feira, 15 de setembro de 2009
In vento
Eu invento
e voo com o vento
eu vou
e vem
com o vento
eu voo!
Contado por Larissa Minghin 2 cantaram!
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Aponta-dor.
Escorrego:
escorre ego, escorre...
Eu deixo ir,
eu lavo a alma,
eu rego as flores
que moram em mim.
Aponto as dores,
descubro novas cores,
aponto o grosso
grafite que sou.
Rabisco leve,
deslizo, danço,
fino escreve quem usa apontador.
.
Contado por Larissa Minghin 8 cantaram!
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Quando Deus sente saudade
Chuva chove e chama
cheiro de capim.
Chora chuva e chove
lágrimas em mim.
Contado por Larissa Minghin 3 cantaram!
sábado, 5 de setembro de 2009
Infiltração
Molhada me entrego
ao divino contato
do corpo contado
em voz baixa.
Molhada me entrego
ao gole,
saliva da boca
e amanheço
teu molhado gosto
em mim.
Molhada me transformo,
antes mesmo
dos olhos molharem
outra vez.
Molhada,
água sua, água suada.
Molhada morada do amor.
Contado por Larissa Minghin 4 cantaram!
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
"Pedro Pedreiro"
Morreu.
Soube pelo trem. Um trem gigante, um trem-vendaval que passara gritando: "Pedro Pedreiro morreu, morreu!"
Lá estava ele, caminhante, sem espera,
lá estava ele,
no ponto de partida, útero de Deus.
Contado por Larissa Minghin 1 cantaram!
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Ponto de parte ida.
Do parto, parti.
E de duas partes partidas,
parte sou.
Hoje me parto.
Sou um monte,
de partidas e pedaços
parte idas e estilhaços.
Aos que chegam de partida,
levo comigo os pedaços,
partilho os cacos do passado,
me divido e entendo, remendo, acolho
e me parto de novo.
Aos que fizeram parte e hoje ardem,
deixo um sopro-sorriso nos olhos,
e na minha alma-mosaico
deixo claro que parte ida é passado
e carinho também.
Não nomeio, não classifico o que a vida me empresta.
Junto tudo em mim,
descubro aos poucos quem são.
São partes partidas de outros,
partes de potes quebrados,
cacos sem pontas, cacos cortantes,
são pedaços, são partes partidas de portos desconhecidos.
Pés caminhantes.
Sou parte minha,
parte sua,
parte do que me deseja e me odeia,
parte da crise e do gozo,
parte do sistema, do esquema, da gema.
Sou parte minha, por isso me parto.
Contado por Larissa Minghin 5 cantaram!