quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Ponto de parte ida.

Do parto, parti.
E de duas partes partidas,
parte sou.

Hoje me parto.
Sou um monte,
de partidas e pedaços
parte idas e estilhaços.

Aos que chegam de partida,
levo comigo os pedaços,
partilho os cacos do passado,
me divido e entendo, remendo, acolho
e me parto de novo.

Aos que fizeram parte e hoje ardem,
deixo um sopro-sorriso nos olhos,
e na minha alma-mosaico
deixo claro que parte ida é passado
e carinho também.

Não nomeio, não classifico o que a vida me empresta.
Junto tudo em mim,
descubro aos poucos quem são.
São partes partidas de outros,
partes de potes quebrados,
cacos sem pontas, cacos cortantes,
são pedaços, são partes partidas de portos desconhecidos.
Pés caminhantes.

Sou parte minha,
parte sua,
parte do que me deseja e me odeia,
parte da crise e do gozo,
parte do sistema, do esquema, da gema.

Sou parte minha, por isso me parto.

5 comentários:

Cristiano disse...

Participante da tua escrita
Querida
Partilho
Que tu não escreve
Canta.

Vital disse...

e somos partes, todos, de uma quebra-cabeça partido, rachado.

cada palavra/parte em seu devido lugar, partido.

poema/parte que quer-se
ser inteiro, ainda que partido.

lindo.

Ian Lehmann disse...

ô bênção ^^

céu e saudade disse...

parte-em-parte eu me parto. mais ou menos assim.

L. disse...

ando tão partida ultimamente.