quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Água

Eu não queria que ele percebesse que ainda doía o que vivi algumas semanas antes de estar ali, não queria que ele soubesse o medo absurdo que sentia quando o olhava nos olhos ou quando suas mãos sem querer, esbarravam nas minhas.
Eu não queria que ele notasse meus olhos encantados pelo quanto os dele hora escondiam, hora escancaravam.
Não queria que ele me sentisse metade, eu o queria sem pressa, feito chuva de domingo no interior.

3 comentários:

Emely disse...

incrivel como escreve o que sinto... coisas de virginianas?

Delon disse...

mas chuva lá do interior a gente sente sem querer, sem pensar, sem escolher o sentir, sem querer que passe, sem querer que dure, a gente só sente aquela chuva, aquela que só sabe chover assim lá no interior, e como a gente só aprende sentir raras coisas... (e dizem nos telejornais que é pra gente desaprender depois, quando já quase sabe bem, quando já quase chegou ao ápice dos prazeres sutis)

Ian Lehmann disse...

encantador x]