domingo, 2 de maio de 2010

Dia do trabalho.

Hoje não pegaria nenhum ônibus lotado até o trabalho e acordou tão bem, que decidiu tomar um café da manhã decente. Caminhou até a padaria mais próxima e pensando no pão crocante e quentinho derretendo a manteiga, sorriu para a moça de olhos inchados no caixa, aceitando de troco três balas de hortelã. Em casa, sentou-se na mesa da cozinha, cortou laranjas ao meio, lambuzou-se de mamão, sujou os dedos de geleia e, no momento em que sentiu a manteiga derretida no céu da boca, pensou que, "se o mundo acabasse agora, morreria feliz". E então deixou os farelos de pão estamparem o "bom-dia" nos cantinhos da boca e decidiu não organizar nada, o dia era de folga e pensar duas vezes o tornaria de trabalho. Tomou um banho bom, ligou o rádio e pegou no sono profundo. Entre roncos e lençóis, o rádio anunciava e garantia o fim do mundo. Ele não precisou ouvir. Feliz da vida, sonhou na morte.


Escrito com Arthur B. Senra.

7 comentários:

Delon disse...

E a moça da padaria teve que ver o mundo acabar em meio a uma intensa fadiga, num dia que nem era de trabalho?

Ricardo Siqueira disse...

"o dia era de folga e pensar duas vezes o tornaria de trabalho."

perfeito!

paulo_puo disse...

e morreria feliz!
ótimo Lara!

Meire disse...

eu não sei o que é dia de folga...meus dias são todos misturados.

Arthur B. Senra disse...

=)

Anônimo disse...

Delon, aiai...=)
Morreu trabalhando, morreu pelo trabalho... A outra morreu feliz (bucho cheio).

May disse...

Tudo tão lindo por aqui n.n